Um dos mais importantes escritores franceses, Daniel Pennac tem um público considerável no Brasil, especialmente entre professores, por conta dos já clássicos Como um romance e Diário de escola, obras de referência na área de educação e leitura. Mas o autor é também um prolífico ficcionista. E neste Diário de um corpo ele constrói uma ficção singular que flerta com a autobiografia, ao narrar a vida do protagonista a partir de um diário do seu corpo, dos 12 aos 87 anos. 

Embora tenha atravessado boa parte do século XX e experimentado as novidades do XXI, os aspectos históricos e os estados de alma do personagem pouco interessam aqui; o motor da história é o corpo, com as descobertas e surpresas que ele nos reserva – do desafio de habitar um corpo e criar uma imagem à primeira polução noturna e às limitações do envelhecimento. O resultado é um diário comovente, ora engraçado e amoroso, ora sofrido e ressentido, e uma saudação à magnífica engrenagem sobre a qual montamos nossa existência. 

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