Existe uma passagem de fluxo intermitente entre o mundo humano e a dimensão fantástica, que torna esses dois universos uma única porção simbiótica, na qual criaturas místicas andam e vivem entre os humanos sem que estes percebam. Você não se admiraria se, numa noite escura, enquanto atravessa um parque deserto no centro da cidade, esbarrasse em metamorfo sedento por sangue e destruição e, infelizmente, fosse atacado pela fera.

Embora a convivência harmônica e pacífica entre homens e criaturas da noite seja cultivada desde os primeiros reis, encontros como esse, inevitavelmente, podem porventura acontecer, pois, por mais que se tente manter os seres fantásticos invisíveis aos olhos humanos, vez por outra as duas espécies se deparam e o resultado do embate não é sempre dos melhores.

E é para evitar esses encontros que existem os Caçadores, homens e mulheres dispostos a proteger e salvaguardar a espécie humana dos instintos animalescos que movem as criaturas da noite. Os Caçadores são aqueles que, de alguma maneira, tiveram os cursos das suas vidas modificados após o terrível encontro com um ser místico. E por conta disso, são convidados a ingressar no Clã, comprometendo-se a evitar que outras pessoas tenham o mesmo azar que tiveram. São os responsáveis pelo equilíbrio e pela guerra - sempre quando ameaçada a espécie humana, liderados por um rei forte, descendente de uma linhagem antiga e honrosa.

Pelo menos, essa era a tradição até tudo mudar repentinamente.

O Clã dos Caçadores passa por um terrível momento de crise, pois um movimento separatista ameaça rompê-lo entre os leais seguidores do atual rei e os insatisfeitos comandados por uma cúpula de traidores oportunistas que enxergam na fraqueza do momento a oportunidade de tomar o poder.
O mais intrigante, porém, é o fato de o centro causador do caos ser Raul, um jovem Caçador recém-recrutado, no entanto, que traz consigo a promessa de mudança e renovação. A sua chegada ao Clã dos Caçadores marca o fim de um ciclo de dor e sofrimento e abre as portas para o futuro. Raul, entretanto, não possui culpa de ter chegado em momento tão inoportuno, quando o coeso Clã ameaça se dividir e uma guerra que se avizinha contra a raça dos Lupinos, homens-lobos liderados por um inescrupuloso líder que almeja abrir o portão primeiro para os nove Círculos Inferiores e dar início a Ascensão das Trevas, uma era de horror na qual o Supremo reinará sobre as três dimensões.
Isso poderia estar acontecendo em Oz, Nárnia ou na Terra Média, mas os rumos dessa história estão se desenrolando bem abaixo dos olhos da raça humana, literalmente, em combates nas avenidas das grandes cidades durante as madrugadas, em perseguições sangrentas por jardins e parques, numa guerra que reúne todas as suas forças para se manter invisível, porém que, a qualquer momento, pode irromper as barreiras entre a calmaria e o desenfreado caos, ainda que a Patrulha da Noite do Clã dos Caçadores, seu virtuoso rei e o Guardião da Coroa tentem lutar contra isso.
No meio de tudo isso, o jovem Raul lida com suas próprias guerras interiores, enquanto é perseguido pelos Caçadores revoltosos que desejam a todo custo a sua cabeça. Raul perceberá que existe uma tênue linha entre justiça e vingança que pode passar despercebida quando o calor das nossas emoções, e, a todo custo, precisará decidir se o que busca junto ao Clã dos Caçadores é vingança ou justiça.

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