As palavras, em Verdade mal contada, são educadas para entregar o que sentem. Deyse Batista expõe a alma no varal para que o sol clareie todas as letras ali tatuadas. Entende-se que às vezes tudo precisa cicatrizar para o colorido ser. A cada história aqui descrita, vive-se. Um amor que não deu certo, epifanias anoitecidas, amanheceres intensos, madrugadas que fazem arder sofismas, filosofias acerca de toda essa fragilidade de sermos. Ela é.

A autora caminha leve em meio à intensidade de suas pontuações. Livro escrito por mãos que tateiam poesia em lugares impensados, o convite existe para que nos permitamos tocar, a cada página. Já fomos, todos, o que ali se diz. As folhas carregam em suas letras o pedido discreto de que sejam salvas. Realizamos o que então se deseja a cada vez que possibilitamos aos olhos o rechear-se com toda essa tormenta doce que os dias trazem sem se responsabilizar.

Viver nos salva da vida. Na leitura silenciosa de um livro que grita, as coisas acontecem. Tornam-se imperfeitas, uma vez que perfeição existe apenas no que não foi/é. A imperfeição aqui é detalhe que enfeita a verdade. Mal contada, bem (d)escrita.

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