Luis Erlanger mistura corrupção na política brasileira com violência, sexo e drogas em um fluxo intenso, extremamente impactante, no divã de Antes que eu morra. Com um discurso perturbador, que não poupa nada nem ninguém, o personagem principal narra suas aventuras ao psicanalista Bernardo Genuss, responsável por ouvi-las e publicar um livro com as transcrições das consultas. 

O autor cria de maneira inesquecível um angustiado protagonista num instigante jogo de relatos sem qualquer compromisso com a verdade. Basta uma troca de andares para o narrador-personagem acidentalmente se envolver em um homicídio, numa paixão nipônica e em uma viagem até Brasília para desvendar um polêmico escândalo. Percorrendo diferentes universos, o personagem se entranha cada vez mais na roda-vida que é esse enredo tornando o leitor também refém dessa história de tirar o fôlego. 

“Com texto erguido a cinzel, Luis Erlanger usa o método jornalístico de apuração, a serviço da ficção mais fidedignamente delirante, obedecendo a um dos inúmeros ‘colaboradores’ dessa obra, Mark Twain: ‘Seguiu a sábia recomendação de, primeiro, informar-se muito bem dos fatos, para, depois, poder distorcê-los o quanto quiser.’” – Pedro Bial.

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