"Abduzido à louca viagem nas páginas de contundente saga. Não era a Biblioteca, foi meu pensar recriando o paraíso sobre o paradisíaco. Tudo quebrantou abaixo de mim, e não pude evitar a sordidez. Não pude conter o solo negro rachado. Havia construído um céu... Cria que o céu chorou sobre mim. Mas foi fantasia. Foi eu quem chorei, e minhas lágrimas tempestuosas caíram sobre o céu, o meu céu, que era de papel.

Pingaram sobre minhas escritas, sobre o grafite, sobre a tinta... Mancharam as páginas, manchada estava minha vida. Rasgou-se, rasguei-me. Cada rasgo se desfez em mais pedaços, que caíram como flocos de neve sobre terra negra. A cada nova lembrança de cinzas, os flocos caíam esfumaçando. Inesperadamente surgiram centelhas, seguidamente caíram brasas.

Papéis desceram como fogo, caindo em larvas, rachando o solo negro já pútrido e envidraçado, isolando-me na ilha de ilhas entre o magma, no obscuro e solitário mundo arredio, do pessimismo e da desesperança, do contentamento e da conformidade. Não havia olhar além, tampouco aquém. Se não nascia de novo, conforme desejei naquela caverna gelada, morria. Ao contrário do fruto brotando, da planta germinando, não emergia. Sucumbia o Rato imergente, no solo onde brotou a rosa...

Estava afundando, tendo minha carne agredida por aquele solo envidraçado, de reflexos escuros, onde vi refletir os poetas mortos e seus cavalos negros, cavalgando em minha direção. Caí aos pés do inimigo, rosto no pó, poeira levantada, braços abertos, rodeado de cruéis desvirtuados, salafrários, designados, ardis, nebulosos. A vida matou-me! Descobrir mundos nesse mundo é mais que satisfação, é descobrir que fronteiras e horizontes desconhecem certos limites. Ultrapassá-los é questão de tempo."

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