Antes dos anos 70, a primeira noite era, frequentemente, o desenlace de uma história de amor, já hoje é apenas mais uma etapa da vida das pessoas. Em Primeira Manhã: Como Nasce uma História de Amor, o sociólogo Jean-Claude Kaufmann revela como os detalhes matinais decidem os rumos de uma relação amorosa. Na sociedade ocidental, o amor ocupa lugar de destaque.

A temática do típico casal que se apaixona e descobre a felicidade está na literatura, no cinema, nas artes, no imaginário. Nesta obra, o autor retira o amor de sua posição de conforto, joga-o sob o olhar da sociologia e o analisa em suas cores mais obscuras, mostrando sem máscaras alguns dos detalhes mais particulares desse sentimento no início de uma história a dois.

O livro não analisa uma manhã calma e, menos ainda, a promessa de uma longa história de amor. Do despertar ao café da manhã, passando pela toalete matinal, os protagonistas são expostos a múltiplos questionamentos.

Questionamentos que o sociólogo leva a sério, ainda que ultrapasse as fronteiras do escatológico. O autor não questiona o encontro, mas os mitos e as representações usuais que surgem com intensidade. Entre as entrevistas que Kaufmann realizou, muitas histórias começaram sem grandes expectativas e tornaram-se grandes histórias de amor.

Segundo Jean-Claude Kaufmann, “as pessoas não devem hesitar em mergulhar a fundo, viver plenamente os momentos. A primeira manhã é um dos momentos raros onde o amanhã está em aberto, onde não estamos a reproduzir esquemas. É necessário se comportar como se não houvesse problemas, mesmo que, é claro, eles existam. É aí que reside toda a dificuldade”.

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