Apenas a sombra do réu permanece presente nas ausências. E antes fosse uma sombra vida, genuína, que se renova com o que de novo traga o dia-a-dia e a convivência, mas não, é uma sombra outra, maculada pelo filtro da memória, mera cópia — a imagem imperfeita e seletiva que temos e fazemos de quem amamos.

O amor mesmo não é mais que apenas um sentir ‘nosso’, muito pouco tendo a ver com o outro, com o ser amado. No fim das contas, vivemos todos isolados e o contato nada mais é que mera ilusão. Cada um de nós vive em sua própria redoma, sua própria caixa. Somos incomunicáveis.

E a mente talvez seja esta redoma, esta caixa, este cubo sem janela. Nada pode penetrar e dela nada sai. Comunicação inexiste. Fazer vibrar na caixa acústica seria talvez nossa pouca, vã e rústica tentativa de romper o silêncio e o isolamento, embora pouca nota diga, ou pouco possa dizer.

Nada sai, nada pode penetrar. Sola mente só. E é certo que os cubos, por vezes, podem até arranhar um ao outro. Mas o barulho e o rangido que produzem ainda dizem pouco, muito pouco.

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